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Entenda como a Embratur trabalha para atrair novos voos internacionais

Entenda como a Embratur trabalha para atrair novos voos internacionais

Agência apoia aeroportos e poder público, estaduais e municipais, com ações de promoção internacional e inteligência estratégica para atrair novos voos para o Brasil

 

Em abril, comemoramos 2 milhões de assentos a mais em voos internacionais para o Brasil até o fim do ano, um crescimento de 26% em comparação ao ano anterior. Mas o trabalho está só começando. Garantir a ampliação da oferta de voos, em 2024 e 2025, é uma meta estratégica da Embratur, fundamental para ampliar o número de estrangeiros que visitam o nosso país. Já iniciamos a negociação com diversas companhias aéreas em todo o planeta, participando de feiras internacionais de aviação civil, ampliando o diálogo com as concessionárias dos aeroportos brasileiros e montando estratégias para tornar o Brasil mais atrativo para as companhias aéreas durante todo o ano.  

Mas você sabe como trabalhamos para atrair os novos voos? O coordenador de Transporte Aéreo, Marítimo e Terrestre da Embratur, Philipe Karat, explica o passo a passo de como funcionam essas negociações, que envolvem dados, inteligência, promoção internacional e articulação com aeroportos e poder público nos estados e municípios. Para se ter uma ideia, na Routes América, feira do segmento realizada entre os dias 21 e 23 de março deste ano, nos Estados Unidos, Karat iniciou o diálogo com 32 companhias aéreas. E ainda tem novidade por terra chegando aí, afinal não é só de avião que chega o turista internacional.

Como uma companhia aérea decide abrir uma nova rota internacional?
Eu trabalhei em uma companhia aérea na área de precificação, e a gente lidava muito com quem falava sobre planejamento de rotas. As companhias olham como estão as vendas de passagens futuras, dados das buscas que os passageiros têm feito nos buscadores e agregadores , as tendências de consumo, e também a inteligência local que possuem nos países consolidando assim os aspectos de demanda. Do outro lado vem os aspectos de oferta. Quantos aviões eu estou recebendo? Eu tenho pilotos para voar todos eles? O aeroporto possui capacidade necessária? Às vezes a companhia compra muito avião e precisa voar para algum lugar. Então, mesmo não tendo a demanda, ela vai trabalhar em criar a demanda para aquela rota. Essa é a lógica das empresas low-cost. Se por outro lado a companhia tem pouco avião e muita demanda, não tem o que fazer, então, ela vai acabar pegando os aviões e colocando nas rotas mais rentáveis.

O aeroporto, que diferença faz nessa decisão?
Todas as concessionárias brasileiras tem uma equipe de desenvolvimento de rotas, eu liderava uma. Uma companhia aérea tem o mundo inteiro pra voar. Só no Brasil são quase duzentos aeroportos habilitados. Então pensa numa companhia aérea lá da França, ela tem milhares de aeroportos no mundo para onde voar. Eu precisava levantar a mão e dizer: eu sei que você tá com poucos aviões, mas eu estou vendo aqui, a nossa demanda é grande Então, eram apresentadas oportunidades de negócio para essas empresas, com dados do mercado, perfil de consumo, informações que mostram que existe fluxo de turistas querendo viajar pra lá e também sair de lá para vir nos visitar, e incentivos financeiros. Às vezes aquela pesquisa que você responde para ganhar o wi-fi gratuito no aeroporto faz a diferença. Se você traz algo de pesquisa primária para a companhia aérea, esse dado ela não tem. 

Então são decisões tomadas basicamente analisando dados?
Os dados são muito importantes, mas tem uma segunda etapa, os aeroportos também atuam oferecendo a interlocução com os atores locais, como as operadoras e o poder público, para puxar a pauta de promoção turística. Recebemos os operadores estrangeiros para que conheçam o destino que eles vão comercializar ou mesmo apresentar um novo produto do destino. Conhece o Rio de Janeiro, mas não conhece Petrópolis? Então, vem para a gente te levar para Petrópolis.

E a Embratur, como atua para atrair novos voos internacionais com destino ao Brasil?
O papel da Embratur é catalisar as negociações que já estão sendo conduzidas pelos estados e pelos aeroportos, apoiar cada uma dessas rotas a ser desenvolvida, a gerar demanda para elas. Aqui na Embratur, a gente tem mais dados, então, dá para a gente entregar mais inteligência para as companhias aéreas. E aqui a gente tem as ferramentas de promoção, como as press trips, as famtours e as ações de marketing direto. Então, se tem uma empresa aumentando voos do Reino Unido, eu vou concentrar meus esforços neste mercado, trazendo agências de viagem do Reino Unido para conhecer o Brasil, por exemplo

E como acontece esse trabalho com os estados?
O diálogo com os aeroportos e com os estados será permanente, para ajudar a Embratur a focar? Porque não temos capacidade para focar em tudo ao mesmo tempo a toda hora. As secretarias municipais e estaduais também entram com ações de promoção, também têm suas estratégias com seus públicos-alvo bem definidos, e nós entramos para apoiar. Está no nosso radar, por exemplo, atuar em parceria com os estados para trazer novos voos para o Norte e Nordeste, que estão mais próximos geograficamente do hemisfério Norte. 

De fato, o Brasil sofre com a distância dos grandes centros, mas temos alcançado números positivos, como os 2 milhões de novos assentos até o fim do ano. Qual o nosso potencial de crescimento?
A gente tem um potencial gigantesco. O nosso oceano azul é o turismo internacional. E a aviação no mundo está num período de retomada. As companhias aéreas aposentaram os aviões velhos, que gastavam muito, durante a pandemia, e não voltaram a usar essas aeronaves. E, agora, estão retomando do zero, abrindo o mapa e olhando para todas as possibilidades de rotas, não necessariamente retomando aquilo que existia antes da pandemia. Um desafio que precisamos enfrentar é o da sazonalidade. O inverno europeu é uma oportunidade para o Brasil, é um período em que devemos ter anúncios de novas rotas. Quando vem o verão europeu, é aí nosso maior desafio vender o Brasil. O europeu quer ir para os EUA, e o americano ir para a Europa. A gente tem que disputar esse mercado, é o trimestre que aqui menos chove, das temperaturas mais amenas. A gente precisa criar produtos de baixa temporada, criar demanda para manter a oferta de voos ao longo do ano.

E como garantir competitividade no preço?
A questão de preço é equilíbrio de oferta e demanda.  Quanto mais voos a gente tiver, menor será o preço para vir ao Brasil. Por isso, precisamos trabalhar na geração de oferta de assentos antes, ou em conjunto, ao trabalho de aumentar o interesse do estrangeiro pelo Brasil. Se só fazemos o segundo, acabamos frustrando o turista convencido com passagens caras, e ele acaba indo para a Tailândia, pela metade do preço. Criando a oferta primeiro, abaixamos os preços e podemos ter uma atividade promocional muito mais eficaz.

Qual a importância da conectividade, de ter aeroportos com muitos voos regionais para atrair voos internacionais?
A gente trabalha para utilizar mais inteligentemente nossa oferta de assentos. Se um passageiro sai de Londres e vem até o Rio de Janeiro, para subir para Fortaleza, ele usa dois assentos em dois voos. Um desses assentos poderia ser usado por um brasileiro indo para Fortaleza. E para o turista é economia de tempo e conforto ir num voo direto para o seu destino. Então, é nosso papel identificar onde estão as oportunidades de voo direto para destravar esse mercado.  Mas a conectividade e os hubs são muito importantes, porque enquanto não há demanda para sustentar um voo direto, as conexões ocupam esses espaços. É por isso que os aeroportos com voos internacionais se desenvolvem muito mais quando têm alimentação relevante de voos domésticos.

E além da malha aérea, dá para atrair mais turistas que atravessam nossas fronteiras pelas rodovias?
Sim, e estamos trabalhando nisso. No rodoviário dá para a gente ir na Argentina, no Uruguai, Paraguai e falar sobre o litoral de São Paulo. É um turismo que a pessoa que vai fazer no fim do ano ainda nem começou a planejar, então, a gente tem tempo para trabalhar essa oferta, fazendo promoção dos destinos. E aí temos outro oceano azul que não foi bem trabalhado ainda. Estamos na fase de estudos, mas vai vir coisa boa por aí. O que existe hoje é muito artesanal, não é profissionalizado, precisamos ajudar a organizar uma cadeia que não está montada. Você olha os dados do Ministério do Turismo, e mais de 80% dos turistas que chegam pelo modal rodoviário vieram por conta própria, com carros particulares. Ali no litoral de São Paulo temos colônias de férias, hotéis gigantes, temos casas de veraneio. Então, a gente tem que usar essa capacidade instalada para trazer turismo, independente de ter voo ou não. Não tem voo? A passagem está cara? Está aqui o ônibus. É mais barato, é seguro, dá para trazer a família inteira.

Entrevistado:
Philipe Karat é engenheiro aeronáutico, pela Universidade de São Paulo (USP), tem mestrado em Engenharia e Gestão Industrial, pelo Instituto Politécnico de Turim (Itália). Foi responsável pela precificação e disponibilidade de rotas internacionais da Latam e captação de todas as empresas low-cost em operação no Brasil, pelo RIOgaleão.

(Embratur).

 

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