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Memória Wilson Eckhardt: Administração como receita de sucesso

Memória Wilson Eckhardt: Administração como receita de sucesso

É com extremo pesar que o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Foz do Iguaçu e Região comunica o falecimento de Wilson Eckhardt, aos 77 anos, nesta segunda-feira, 4, vítima de complicações da Covid-19, no Hospital Costa Cavalcanti.

“Perdemos um grande empresário, com expressiva contribuição ao turismo de Foz e ao Sindhotéis. Em nome da Diretoria e dos associados da entidade, deixamos condolências aos seus familiares e amigos”, afirmou o presidente do Sindicato, Neuso Rafagnin.

O Sindhotéis informa que o corpo será liberado para velório considerando que no último exame realizado ainda em vida a presença do novo coronavírus não foi mais detectada no organismo. Horário e local ainda serão confirmados.

Em homenagem a Wilson Eckhardt, resgatamos sua trajetória registrada no livro “Memórias”, do Sindhotéis.

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Wilson Eckhardt
5º presidente
Gestão 1983-1984

Natural de Erechim (RS), Wilson Eckhardt teve sua formação acadêmica, em 1972, em Contabilidade, na cidade natal. Três anos depois, formou-se em Ciências Econômicas pela Faculdade Fundação de Estudos Sociais do Paraná em Curitiba. Veio a Foz do Iguaçu em 1972 para compor a sociedade do Foz Presidente Hotel, a convite de seu tio Erico Werminghoff.

Durante os cinco primeiros anos na sociedade, Wilson “ia e voltava” para administrar o hotel. Deixou sua família e os trabalhos nas funções de contador em um escritório, professor de faculdade e administrador de supermercado e loja de departamentos.

Wilson Eckardt e Lurdes Maria – Foto: Arquivo Família

Já em 1977, optou por vir definitivamente a residir na cidade juntamente com sua família: a esposa, Lourdes Maria Eckhardt, e as filhas Andrea, Juliane e Daniele. Em 1983, nasceu sua filha mais nova, Renata Eckhardt.

Seu tio faleceu em janeiro de 1981, e assim Wilson seguiu administrando o hotel. À frente do empreendimento, manteve-se sempre íntegro e disciplinado, com foco no futuro. O empresário comandou todas as ampliações, adequações e melhorias no negócio.

Instalado na Rua Xavier da Silva, o Foz Presidente Hotel I contava com cerca de 30 hospedagens; posteriormente foi ampliado para 89 quartos, lembra Lourdes Maria. Em 1985, Wilson deu início à construção do segundo hotel, na Rua Marechal Floriano Peixoto (hoje, Foz Presidente Comfort). Atualmente, a empresa possui mais de 220 apartamentos.

Levinus Pietch, Wilson Eckardt, Lurdes Maria – Foto: Arquivo Família

Lourdes Maria afirma que a organização do marido tornou mais fácil o investimento na ampliação do hotel, pois foi possível obter empréstimo para custear as obras. Ela ressalta a gestão do companheiro nos hotéis. “Wilson era patrão e amigo, gostava de ensinar e criava vínculos. Temos vários funcionários que trabalham no hotel há mais de 20 anos, como o Sebastião, a Irene, o Davi, o Edson, o Luís, a Yolanda e a Ivone. Até hoje eles vêm visitar o meu marido em casa”, revela.

Em 2003, Wilson adoeceu e afastou-se da administração dos hotéis, período que culminou com a crise econômica brasileira e a drástica redução do número de sacoleiros na região e também de turistas e visitantes que compravam mercadorias do Paraguai. Com o afastamento do pai, o gerenciamento dos hotéis passou para as filhas Andrea e Juliane, juntamente com os sócios Rose Werminghoff e Hamilton. 

O sindicato

 Wilson Eckhardt foi presidente do Sindhotéis em 1983 e 1984. Mesmo antes de integrar a direção da entidade, mantinha participação ativa nas reuniões e ações do sindicato e defendia a união dos hoteleiros em defesa das causas de interesse coletivo. “Se o pessoal não for unido, as mudanças não acontecem. Wilson cativava e unia as pessoas, nunca via os demais hoteleiros como concorrentes, e sim como parceiros em prol ao bem comum da comunidade. Queria ver todo mundo crescer”, conta Lourdes Maria.

Lurdes Maria, Wilson Eckardt, Carlos Tavares, Maria Erni e Thiago – Foto: Arquivo Família

Durante a gestão dele, o Sindhotéis obteve da Prefeitura de Foz do Iguaçu a transferência dos terrenos para a construção da sede própria. Tal conquista veio com a Lei Municipal 1.111, de 9 de dezembro de 1981, assinada pelo então prefeito Clóvis Cunha Vianna. A área doada totalizava 1.977,24 metros quadrados.

Lourdes Maria lembra que o marido também reivindicava maior divulgação, diversificação dos atrativos, qualificação do atendimento e investimentos em infraestrutura. O trade turístico conseguiu a implantação do serviço de informação ao turista na entrada da cidade.

De acordo com ela, outras bandeiras de Wilson Eckhardt à frente do sindicato foram a mobilização de hoteleiros e proprietários de restaurantes pela construção do Centro de Convenções e o aumento da cota para compras na fronteira. O espaço para exposições e convenções tornou-se realidade anos mais tarde, e a cota foi fixada em US$ 300, o dobro do valor pretendido pelo governo da época.

Segundo o jornal Nosso Tempo, de 7 de junho de 1985, “o prefeito Wádis Benvenutti e os presidentes da ACIFI (Associação Comercial e Industrial de Foz do Iguaçu), Nelson Domareski, e do Sindicado de Hotéis e Similares de Foz do Iguaçu, Wilson Eckhardt, estão enviando expediente às autoridades governamentais do país propondo o aumento no limite do valor em dólar para compra de produtos no Paraguai e Argentina, via Foz do Iguaçu. A proposta se baseia no feito de que a elevação de 150 para 300 dólares proporcionará um grande aumento do fluxo turístico, sem com isso trazer prejuízos para o Brasil”.

Turismo

Wilson Eckardt, Alceu Vezozzo, Esoani Portes – Foto: Arquivo Família

Daniele Eckhardt, filha de Wilson, conta que o pai vislumbrava o turismo de compras sendo substituído por uma visitação sustentada. O tempo mostrou a correção do diagnóstico feito pelo hoteleiro, com a expansão da atividade turística na cidade. “Com o tempo, foi aumentando o número de turistas, visitantes que vêm para conhecer os atrativos, que circulam por Foz do Iguaçu”, enfatiza.

A realidade dos hotéis da família é apresentada por Daniele para comprovar o momento de crescimento vivido pelo turismo na região. “Recebemos turistas estrangeiros, como argentinos, uruguaios, muitos deles vindo em grupos e excursões. Também hospedamos pessoas que são clientes desde o começo do hotel”, revela. A clientela vem de vários estados brasileiros e também de todo o Paraná.

Renata Eckhardt, a caçula, conta que, mesmo nos dias de hoje, os funcionários mais antigos do hotel relembram a grandeza e sensatez de liderança que Wilson pleiteava em sua empresa, visando sempre ao crescimento e engajamento dos profissionais, reconhecendo as boas condutas e apoiando a melhoria e excelência de serviço. Qualidade esta que vai muito além. Ele também era conhecido como “conselheiro” de muitos outros hoteleiros da cidade.

Wilson sempre foi um visionário do ramo. Aproveitou as oportunidades para estruturar e, juntamente com seus companheiros, iniciar um processo de planejamento estratégico usufruído até hoje. Um de seus legados, que foram escritos em agendas e gravações: “A mão de obra é a grande riqueza da cidade, precisamos esculpi-la como uma pedra preciosa”.

DIRETORIA – GESTÃO 1983-1984

Wilson Eckhardt Presidente
Homero Girelli 1º Vice-Presidente
Esoani Portes 2º Vice-Presidente
Pedro Grad Roth 1º Secretário
Newton Parodi 2º Secretário
Névio Morello Rafagnin 1º Tesoureiro
João Antunes de Oliveira Conselho Fiscal
Santo Salvatti Conselho Fiscal
Ricardo Prescinotti Conselho Fiscal
Delegados representantes Raul Boes
Júlio César Gomes de Oliveira
Wilson Eckhardt

 

 

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