Visitas às fábricas Casttini e Delucci e conversas com representantes do setor mostraram como tecnologia, design e trabalho artesanal se unem para transformar hotéis, restaurantes e outros ambientes
A 25ª Movelsul Brasil encerrou sua programação, realizada de 17 a 20 de agosto, em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, com uma avaliação positiva do Sindhotéis. Mais do que apresentar móveis e soluções, a feira revelou tendências, aproximou profissionais e reforçou a importância de pensar os ambientes a partir da experiência de quem os utiliza. Para o setor hoteleiro e gastronômico, essa discussão é especialmente importante. O mobiliário participa da identidade de um empreendimento, influencia o conforto do hóspede e cliente, e precisa responder a exigências como resistência, funcionalidade, durabilidade e facilidade de manutenção.
Tecnologia aliada ao cuidado artesanal – No terceiro dia de atividades, a visita foi a Casttini Móveis Planejados, onde foram recebidos por Vitor Agostini, fundador da empresa. Durante o encontro, o empresário apresentou a trajetória da marca e acompanhou a visita pelas instalações da fábrica. O percurso permitiu observar de perto maquinários modernos e entender como os investimentos em tecnologia contribuem para otimizar a produção, reduzir prazos e garantir mais precisão. A experiência também evidenciou que eficiência industrial, planejamento e atenção aos detalhes precisam caminhar juntos, especialmente quando os móveis são desenvolvidos para projetos com diferentes perfis e necessidades.
Na sequência, a visita à Delucci Móveis, recepcionada pelo sócio fundador Edwin Lucci e pelo gerente comercial de atendimento corporativo, Johnny Ariel Duarte, revelou o trabalho por trás da fabricação de mesas e cadeiras. A seleção da madeira, dos parafusos, dos tecidos e dos demais componentes interferem diretamente no resultado final. Embora a indústria conte com equipamentos modernos, o olhar e a habilidade dos profissionais continuam fundamentais para a finalização das peças.

Essa combinação entre tecnologia e trabalho humano ajuda a explicar por que o mobiliário destinado a hotéis, restaurantes e outros empreendimentos precisa reunir estética, conforto e resistência. Na Delucci, o cuidado se estende ao pós-venda, aspecto valorizado por clientes exigentes e por grandes marcas dos segmentos de hotelaria e gastronomia. A empresa também mantém um showroom na sede do IHGT – Instituto de Hotelaria, Gastronomia e Turismo e do Sindhotéis. O espaço permite conhecer de perto alguns produtos e observar suas possibilidades de aplicação em projetos profissionais.

Uma feira que aproxima mercados – Ao longo dos quatro dias, a Movelsul reuniu indústrias, empresários, arquitetos, designers, lojistas, compradores e importadores. Para Cíntia Ceriotti Weirich, presidenta do Sindmóveis de Bento Gonçalves, a força do evento está justamente na capacidade de promover negócios e relacionamentos.
A feira recebeu visitantes de todas as regiões do Brasil e de 40 países. Também trouxe 60 importadores previamente selecionados e contou com ações do Brazilian Furniture, projeto da Abimóvel em parceria com a ApexBrasil, que promoveu rodadas de negócios internacionais. Outro destaque foi o Movelsul Conecta, iniciativa voltada à aproximação com arquitetos, designers de interiores e especificadores do segmento corporativo. Em 2026, o projeto reuniu 50 convidados em rodadas de negócios, eventos exclusivos e visitas técnicas.

A programação mostrou que as feiras profissionais não se resumem à realização de pedidos imediatos. Muitas oportunidades surgem da troca de informações, da criação de vínculos e da identificação de parceiros para projetos futuros.
“As feiras também são espaços de relacionamento”, afirma a presidenta do Sindmóveis

Qual foi a principal mensagem desta edição da Movelsul?
A principal mensagem é que os eventos presenciais continuam importantes não só para os negócios, mas também para o relacionamento. O mercado muda, as demandas mudam, e a Movelsul precisa se reinventar continuamente para ser cada vez melhor.
Que resultados a feira proporcionou?
Recebemos visitantes de todas as regiões do Brasil e de 40 países. Lojistas, redes de varejo, arquitetos e importadores tiveram contato com os expositores e saíram com negócios alinhados. A Movelsul sempre foi uma janela de oportunidades, e nesta edição não foi diferente.
O perfil de expositores e compradores mudou?
Hoje, as feiras de negócios não são apenas sobre fechar pedidos imediatamente, mas sobre ampliar contatos e construir relacionamentos que se transformam em boas parcerias. A Movelsul reúne móveis seriados e planejados, colchões, estofados, decoração e tecnologias, formando um ecossistema completo para o setor.
Quais são os principais desafios da indústria moveleira?
A alta carga tributária, o custo das matérias-primas, a falta de mão de obra qualificada, as condições das estradas e uma economia interna marcada pelo endividamento tornam o cenário desafiador. Para ganhar competitividade, as empresas precisam investir em tecnologia e design, estudar novos mercados e diversificar sua atuação. Também é necessário um ambiente mais favorável para o empresário brasileiro.
Qual é o legado da Movelsul?
Há 49 anos, a feira contribui para o desenvolvimento do setor, para o fortalecimento das empresas locais e para a visibilidade de Bento Gonçalves e da Serra Gaúcha. É uma feira feita pelo setor e para o setor, envolvendo indústrias, lojas, arquitetos, designers, estudantes e todos os profissionais da cadeia moveleira.
O olhar de quem específica – Para a arquiteta e urbanista Thais da Rosa, um dos pontos altos da feira foi perceber que empresas de diferentes portes estão investindo em inovação e buscando atender melhor os mercados nacional e internacional. Durante o Movelsul Conecta, ela observou que nenhuma das marcas visitadas estava acomodada com o tamanho ou com a variedade de produtos já oferecidos. Havia, em todas, disposição para desenvolver novas soluções, aprimorar a qualidade e encontrar caminhos de crescimento. O contato direto com os fabricantes também trouxe ganhos para a prática profissional. Conhecer os processos de produção, os materiais e as tecnologias permitem ao arquiteto especificar os produtos com mais segurança e adequação às necessidades de cada cliente.
“Conhecer o processo amplia o repertório do arquiteto”, destaca Thais da Rosa

O que mais chamou sua atenção na feira?
A qualidade das empresas e a busca constante por inovação. Desde as maiores até as menores, todas estão investindo em tecnologia e procurando atender cada vez melhor o mercado nacional e internacional.
Qual é a importância das visitas técnicas para a arquitetura?
É muito importante entender o processo de fabricação e conhecer melhor os produtos, porque isso ajuda o arquiteto a especificar melhor para o cliente. A arquitetura é uma profissão muito plural, por isso precisamos compreender um pouco de tudo.
Como esse contato contribui para o trabalho?
Conhecer os produtos, materiais e tecnologias amplia nosso conhecimento e nosso repertório. Com isso, qualificamos cada vez mais o nosso olhar e conseguimos tomar decisões mais conscientes nos projetos.
O que a premiação de design representou?
Foi muito positivo ver como a criatividade e o design brasileiros podem ser tão impactantes quanto as referências internacionais, principalmente as europeias. Isso traz alegria e orgulho. Mesmo com tantos desafios e pouco incentivo à criação e ao desenvolvimento de projetos no Brasil, iniciativas como essa valorizam e dão visibilidade aos artistas e designers brasileiros.
Ao final da feira, ficou evidente que o futuro dos ambientes passa pela união entre design, tecnologia, conforto, sustentabilidade e atenção aos detalhes. Para o Sindhotéis, a participação na Movelsul ampliou conhecimentos, fortaleceu relacionamentos e mostrou que cada escolha, da matéria-prima ao acabamento, ajuda a definir a experiência que hotéis e restaurantes desejam oferecer.
**Ismael Filadelphi e Thais da Rosa viajaram a convite da Delucci Móveis.
Assessoria de Comunicação Sindhotéis | IHGT Ismael Filadelphi | Jornalista MTB PR 6539







